Editorial A vacinaзгo e o rastreio na prevenзгo do cancro do colo do ъtero em Portugal O cancro do colo estб fortemente associado а infec зго pelo HPV de alto risco. O surgimento das vacinas profilбticas contra o HPV constituiu por isso mesmo, um importante marco na luta contra o cancro do colo do ъtero. O benefнcio da vacinaзгo contra o HPV tkm sido apoiada por mъltiplos estudos cientнficos e tam bйm por evidkncia histyrica - a histyria da medicina tem demonstrado o papel determinante da vacinaзгo no controlo da principais doenзas de carбcter infec cioso que tkm afectado a humanidade. do ъtero.
Atй entгo, sobrevivia na Zona Centro do nosso paнs, o ъnico programa de rastreio organizado, que teve o mйrito de conseguir reduzir, naquela zona. a taxa de mortalidade por cancro do colo do ъtero aos melhores nнveis europeus, graзas а tenacidade e ao profissionalismo dos seus responsбveis. Tentativas de constituir outros programas de rastreio organizado foram sempre infrutнferas, tendo esbarrado quer na indiferenзa, quer na incompreensгo dos organismos oficiais. O ano de 2009 viu finalmente concretizar-se um das mais sentidas aspiraзxes mйdicas em Portu gal, a cobertura nacional com programas de rastreio organizado contra o cancro do colo do ъtero.
Alguns jб se encontram em funcionamento, enquanto que ou tros ainda se encontram em fase de implementaзгo, mas й uma questгo de tempo para que todos estejam a dar os seus frutos. O importante й que passou a haver vontade politica e governamental para a criaзгo de programas de rastreio em todo o territyrio nacional. Para alйm da sua validade intrнnseca, a vacinaзгo profilбtica contra o HPV tem-se feito acompanhar de felizes efeitos adicionais. Trouxe para a ribalta a discus sгo pъblica, privada e institucional de uma doenзa que pode ser prevenida. Nunca se falou tanto sobre cancro do colo do ъtero como agora! O tema parece interes sar a todos e й discutido em todo o lado.
Toda a gente, e principalmente as mulheres, querem saber o que й a doenзa e como pode ser prevenida e tratada. Abundam os folhetos explicativos, os sites na net, e o assunto in flama os meios de comunicaзгo social mais influentes. Tambйm na sua prбtica clнnica, os mйdicos sentem hoje a necessidade de se envolverem mais activamente, e to mam de forma espontвnea a iniciativa de elucidarem as suas utentes. Hoje, parece estarmos todos (populaзгo e profissionais de saъde) mais esclarecidos sobre o cancro do colo do ъtero e por isso melhor preparados para nos envolvermos no “combate” a esta doenзa. Mas a introduзгo das vacinas contra o HPV tam bйm se fez acompanhar de alguns curiosos paradoxos.
Apesar de nunca ter sido desenhado um estudo rando mizado para avaliar a eficбcia do rastreio organizado do cancro do colo do ъtero, em todos os locais onde tem sido implementado, registou-se sempre uma sig nificativa reduзгo da mortalidade por aquela doenзa. Hoje, nгo existem dъvidas quanto а evidkncia da sua eficбcia. Desde 2006, altura em que a vacina profilб tica contra o HPV foi aprovada pela FDA para uso clнnico, ainda nгo houve tempo para a demonstraзгo estatнstica da sua eficбcia na reduзгo da mortalidade Outro agradбvel efeito colateral que nos trouxe as vacinas foi o de estimular a implementaзгo de pro gramas de rastreio organizado contra o cancro do colo 59