de Barros e Silva et al. Diretriz Brasileira de Atendimento а Dor Torбcica na Unidade de Emergkncia – 2025 Diretrizes dor torбcica ser o sintoma mais comum no reconhecimento de um paciente com SCA, no ambiente do PS, apenas 5 a 20% dos pacientes com dor torбcica tkm SCA, e mais da metade dos casos de dor torбcica nгo tem causa cardнaca. 12-14 Uma atuaзгo rбpida e assertiva para diagnystico e tratamento pode melhorar de forma significativa o prognystico desses pacientes e reduzir os custos no sistema de saъde. dor torбcica), o paciente se torna mais vulnerбvel a falhas no diagnystico (tanto subdiagnystico como sobrediagnystico), a despeito dos recursos disponнveis.
Isso implica em maior risco de complicaзxes fatais (riscos na liberaзгo inadvertida de casos de IAM para casa) e maiores custos hospitalares (uso excessivo de uma unidade de alta complexidade, como a UCO, para pacientes de menor risco). Em decorrkncia da elevada incidkncia dessa queixa em PS, o atendimento a pacientes com dor torбcica й realizado por muitos mйdicos e/ou centros de saъde que nгo sгo especializados em DCVs. Dessa maneira, й fundamental a orientaзгo adequada de todas as unidades e profissionais para o melhor manejo desses casos, no sentido de oferecer um cuidado seguro ao paciente e eficiente para o sistema de saъde.
Essa avaliaзгo visa nгo apenas o reconhecimento precoce dos casos de SCA, mas tambйm de outros diagnysticos que apresentam risco de ybito na emergkncia, como dissecзгo de aorta e tromboembolismo pulmonar (TEP) – ou seja, embora a SCA seja a causa mais frequente de morte na populaзгo com dor torбcica, hб outros diagnysticos potencialmente fatais e tempo-sensнveis que tambйm devem ser considerados na avaliaзгo desses pacientes. Tendo em vista esse cenбrio, as unidades de dor torбcica (UDTs) foram criadas em 1982.
8,21-23 Elas nгo representam necessariamente um espaзo fнsico dedicado ao atendimento da dor torбcica, mas sгo prioritariamente fluxos e processos que permitem uma avaliaзгo sistematizada e baseada nas melhores prбticas para os pacientes que apresentam suspeita diagnystica de SCA. 24,25 Para isso, й necessбrio que a equipe de mйdicos e enfermeiros esteja treinada e habituada ao manejo das urgkncias e emergkncias cardiovasculares. Alйm da importвncia no melhor direcionamento diagnystico, o protocolo de dor torбcica possibilita a rбpida aplicaзгo de terapias baseadas em evidkncias.
Embora os diagnysticos potencialmente fatais representem habitualmente tempo-sensнveis; portanto, quanto mais precoce o diagnystico, mais rбpida serб a intervenзгo e, por consequkncia, mais vidas serгo salvas, especialmente em situaзxes como IAMCSST e dissecзгo aguda de aorta (DAA). 1.2. Papel das Unidades de Dor Torбcica Na dйcada de 60, foram estabelecidas as unidades coronarianas (UCOs), cujo objetivo principal era oferecer um ambiente seguro para confirmaзгo do diagnystico e, principalmente, para o tratamento dos casos de IAM.
15 Essas unidades trouxeram um impacto clнnico relevante, com reduзгo de cerca de 50% na mortalidade nos casos de IAM, especialmente pelo reconhecimento precoce e tratamento eficaz de arritmias e da parada cardнaca. 15,16 Apesar do benefнcio clнnico para os casos confirmados de IAM, a existkncia de um ambiente mais seguro levou a uma conduta mais liberal na prбtica clнnica, em que os mйdicos tambйm internavam em UCO muitos casos nгo confirmados, ou seja, pacientes apenas com a suspeita clнnica de SCA.
15,16 Como consequkncia dessa abordagem baseada em julgamento clнnico subjetivo e heterogkneo (ao invйs de protocolos objetivos), mais da metade dos pacientes internados nas UCOs nгo tinham, na verdade, SCA. 16 Dessa forma, grande parte desses leitos de alta complexidade e alto custo passaram a ser ocupados por pacientes de baixa probabilidade diagnystica e baixo risco de complicaзxes, resultando nгo somente em saturaзгo das UCOs, mas tambйm em uma utilizaзгo inadequada de recursos. Em resumo, o protocolo para atendimento sistematizado do paciente com dor torбcica ou sintoma suspeito de SCA visa:
1) Prover acesso fбcil e prioritбrio ao paciente com dor torбcica (ou sintoma equivalente) que procura a unidade de emergkncia (atendimento inicial); 2) Fornecer uma estratйgia diagnystica e terapkutica organizada na unidade de emergkncia, objetivando rapidez e alta qualidade de cuidados para atingir os melhores desfechos possнveis para os pacientes e, ao mesmo tempo, tendo foco na eficikncia sobre o uso dos recursos disponнveis, ou seja, com entrega de valor em saъde (rota de investigaзгo diagnystica e rota terapkutica). 25 1.3.
Objetivos da Diretriz • Fornecer orientaзгo prбtica para mйdicos (cardiologistas ou nгo) e equipe multiprofissional sobre a abordagem inicial dos pacientes com inнcio agudo de dor torбcica (ou sintomas equivalentes), de acordo com as melhores prбticas baseadas em evidkncias; A auskncia de protocolos que possibilitassem maior assertividade na seleзгo de pacientes para internaзгo gerou tanto a situaзгo de superlotaзгo das unidades coronбrias, quanto um cenбrio de risco elevado para altas inadvertidas, ou seja, liberar do PS um paciente com IAM nгo reconhecido.
Historicamente, nos EUA, de 1 a 10% dos pacientes que realmente estavam sofrendo um IAM acabavam sendo inapropriadamente liberados da sala de emergkncia por nгo terem a sua doenзa reconhecida, e esse grupo, liberado de maneira inadvertida, apresentava maior risco de morte. 17-20 Em locais com menores recursos e/ou cujos mйdicos tkm menor preparo para esse tipo de atendimento, a taxa de IAM nгo reconhecida й maior.
20 Dessa forma, embora a SCA represente uma menor parte dos casos de dor torбcica, na auskncia de um atendimento sistematizado (protocolo de • Estabelecer a rotina de atendimento de pacientes com suspeita de SCA (e seus diagnysticos diferenciais), minimizando os tempos para a realizaзгo de procedimentos diagnysticos e terapkuticos crнticos para o mais rбpido restabelecimento do paciente; • Orientar a utilizaзгo de recursos, tendo como prisma a entrega de valor em saъde e que seja adaptбvel ao cenбrio de atendimento; • Orientar a coleta de informaзxes sobre a prбtica assistencial para que seja possнvel avaliar a qualidade do atendimento ao estabelecer metas mensurбveis dos tempos envolvidos e das melhores prбticas no protocolo de dor torбcica.
Essa informaзгo й fundamental para identificar Arq Bras Cardiol. 2025; 122(9):e20250620 11