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ACTA OBSTETRICA E GINECOLOGICA PORTUGUESA

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ACTA OBSTETRICA E GINECOLOGICA PORTUGUESA Уrgгo oficial da Federaзгo das Sociedades Portuguesas de Obstetrнcia e Ginecologia Official journal of the Federation of Portuguese Societies of Obstetrics and Gynecology Director CARLOS FREIRE DE OLIVEIRA Editor-Chefe/Editor in Chief DIOGO AYRES-DE-CAMPOS Corpo Editorial/Editorial Board Josй Barros JOГO BERNARDES Carlos Calhaz-Jorge Nuno Clode Ana Rosa Costa Alexandra Matias Fernando Mota JOsй Alberto moutinho JOsй Maria moutinho Filomena Nunes Carla RamaLho Isabel Torgal Editor de Produзгo/Production Editor Editora/Publisher MARILDA SANTANA MOMENTO MЙDICO, LDA Administraзгo/Administration PAULO LEITE Conselho Cientнfico:

Fernanda Бguas, Ana Aroso, Antynio Bacelar Antunes, Ana Campos, Conceiзгo Cardoso, Ingeborg Chaves, Joгo Dyria, Luнs Graзa, Carlos Marques, Josй Martinez de Oliveira, Teresa Mascarenhas, Nuno Montenegro, Paulo Moura, Daniel Pereira da Silva, Carlos Plancha, Joгo Luнs Silva Carvalho, Mбrio Sousa, Josй Vicente Pinto A Acta Obstetrica e Ginecologica Portuguesa й uma revista editorialmente independente, propriedade da Federaзгo das Sociedades Portuguesas de Obstetrнcia e Ginecologia (FSPOG). A revista publica trabalhos cientнficos originais avaliados por revisores, em todas as areas relacionadas com a Ginecologia e Obstetrнcia.

O objectivo principal da revista й a promoзгo e divulgaзгo da investigaзгo cientнfica nestas areas, sobretudo entre os mйdicos da Especialidade. Outro objectivo й a divulgaзгo da investigaзгo cientнfica realizada em Portugal em meios internacionais de grande impacto. Й uma revista bilingue que aceita artigos escritos em inglks ou em portuguks , sendo sempre necessбrio a inclusгo de um Tнtulo e um Sumбrio em inglks. Acta Obstetrica e Ginecologica Portuguesa is an editorially independent publication, property of the Federation of Portuguese Societies of Obstetrics and Gynecology (FSPOG)).

The journal publishes original, peer reviewed, scientific work in all areas related to Obstetrics and Gynecology. The main aim of the journal is the promotion and disemination of scientific research in these areas, predominantely between clinicians in the speciality. Another aim of the journal is the international dissemination at high impact levels of scientific research carried out in Portugal. It is a bilingual journal, accepting articles written either in English or in Portuguese , but in all cases needing the inclusion of a Title and an Abstract in English. As submissxes de artigos devem ser feitas on-line no site: www.aogp.com.pt Article submission should be made on-line at the site:

www.aogp.com.pt A revista й publicada trimestralmente , sendo enviada gratuitamente a todos os Especialistas e Internos Complementares de Ginecologia e Obstetrнcia, inscritos na FSPOG. Os pedidos adicionais de subscriзгo devem ser dirigidos а Empresa Editora. The journal is published every three months and send free of charge to all Specialists and Residents in Obstetrics and Gynecology registered at the FSPOG. Addicional subscription orders should be directed to the Publisher. A publicidade inserida na revista й da responsabilidade ъnica da Empresa Editora. Todos as solicitaзxes para inclusгo de publicidade devem ser dirigidos a:

Momento Mйdico, Praзa de Alvalade 9, 3є B, 1700-037 Lisboa; Tel: 217828060; Fax: 217828069; e-mail: geral@momentomedico.pt. Advertisments included in the journal are the sole responsibility of the Publisher. All advertisement booking should be addressed to: Momento Mйdico, Praзa de Alvalade 9, 3є B, 1700-037 Lisboa; Tel: +351217828060; Fax: +351217828069; e-mail: geral@momentomedico.pt. Os direitos de autor dos artigos publicados nesta revista sгo automaticamente transferidos dos autores para a FSPOG na altura da aceitaзгo para publicaзгo.

Й da responsabilidade dos autores informar os editores, na altura da submissгo, de quaisquer impedimentos existentes para esta transferkncia destes direitos, bem como de conflitos de interesse existentes, relativos а investigaзгo realizada e а publicaзгo do artigo. Copyright of articles published in this journal is automatically transferred from the authors to the FSPOG at the time of acceptance for publication. It is the responsibility of authors to inform the editors, at the time of submission, of any circunstance affecting this transfer of copyright, as well as to disclose any existing conflicts of interest regarding the conducted research and publication of the article.

Й expressamente proibida a reproduзгo ou fotocypia de parte ou totalidade desta revista para distribuiзгo, sem permissгo da FSPOG. A cypia da revista й apenas permitida para uso interno e pessoal. Reproduction and photocopying of the whole or part of this journal for general distribution without permission of the FSPOG is expressily forbidden. Copying of the journal is allowed for strictly internal and personal use. Indexada em Depysito Legal nє 257465/07 ISSN 1646-5830

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Vol. 4 Nє 2 Abril/Junho 2010 Sumбrio/Summary Editorial Josй Alberto Moutinho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 Artigos Originais/Original Articles Drilling ovбrico: uma орзго no tratamento de infertilidade /Ovarian drilling: a therapeutic option in infertility Ricardo Ribeiro, Helena Leite, Andreia Marques, Nuno Pereira, Sнlvia Sousa, Sidynio Matias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

61 Resultados perinatais e aspectos psicopatolygicos da epilepsia na gravidez / Perinatal results and psycopathologic aspects of epilepsy in pregnancy Ana Domingues, Marta Durгo, Tiago Marques, Margarida Silvestre, Elsa Vasco, Paulo Moura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 Internato de Obstetrнcia e Ginecologia em Portugal: retrato sob a forma de inquйrito / Training program of Obstetrics and Gynecology in Portugal: a portrayal through a survey Hйlder Ferreira, Teresa Diniz-da-Costa, Nuno Martins . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

74 Artigos de Revisгo/Review Articles O sangue do cordгo umbilical em medicina regenerativa: uma revisгo dos desenvolvimentos cientнficos mais recentes / Umbilical cord blood in regenerative medicine - a review of recent scientific developments Ana Cabeleira, Margarida Vieira, Teresa Matos, Andrй Gomes, Dolores Rivera. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 Estadiamento cirъrgico do cancro do endomйtrio / Endometrial cancer: surgical staging Ricardo Ribeiro, Daniel Pereira-da-Silva. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

88 Uso de psicofбrmacos na gestaзгo/ Use of psychotropic drugs during pregnancy Cassilda Costa, Constanзa Reis, Rui Coelho. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Caso Clнnico/Case Report Gravidez gemelar em mulher com sнndrome de Turner / Twin pregnancy in a woman with Turner’s syndrome Olga Caramelo, Etelvina Fonseca, Paulo Moura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112

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Editorial A vacinaзгo e o rastreio na prevenзгo do cancro do colo do ъtero em Portugal O cancro do colo estб fortemente associado а infec­ зго pelo HPV de alto risco. O surgimento das vacinas profilбticas contra o HPV constituiu por isso mesmo, um importante marco na luta contra o cancro do colo do ъtero. O benefнcio da vacinaзгo contra o HPV tkm sido apoiada por mъltiplos estudos cientнficos e tam­ bйm por evidkncia histyrica - a histyria da medicina tem demonstrado o papel determinante da vacinaзгo no controlo da principais doenзas de carбcter infec­ cioso que tkm afectado a humanidade. do ъtero.

Atй entгo, sobrevivia na Zona Centro do nosso paнs, o ъnico programa de rastreio organizado, que teve o mйrito de conseguir reduzir, naquela zona. a taxa de mortalidade por cancro do colo do ъtero aos melhores nнveis europeus, graзas а tenacidade e ao profissionalismo dos seus responsбveis. Tentativas de constituir outros programas de rastreio organizado foram sempre infrutнferas, tendo esbarrado quer na indiferenзa, quer na incompreensгo dos organismos oficiais. O ano de 2009 viu finalmente concretizar-se um das mais sentidas aspiraзxes mйdicas em Portu­ gal, a cobertura nacional com programas de rastreio organizado contra o cancro do colo do ъtero.

Alguns jб se encontram em funcionamento, enquanto que ou­ tros ainda se encontram em fase de implementaзгo, mas й uma questгo de tempo para que todos estejam a dar os seus frutos. O importante й que passou a haver vontade politica e governamental para a criaзгo de programas de rastreio em todo o territyrio nacional. Para alйm da sua validade intrнnseca, a vacinaзгo profilбtica contra o HPV tem-se feito acompanhar de felizes efeitos adicionais. Trouxe para a ribalta a discus­ sгo pъblica, privada e institucional de uma doenзa que pode ser prevenida. Nunca se falou tanto sobre cancro do colo do ъtero como agora! O tema parece interes­ sar a todos e й discutido em todo o lado.

Toda a gente, e principalmente as mulheres, querem saber o que й a doenзa e como pode ser prevenida e tratada. Abundam os folhetos explicativos, os sites na net, e o assunto in­ flama os meios de comunicaзгo social mais influentes. Tambйm na sua prбtica clнnica, os mйdicos sentem hoje a necessidade de se envolverem mais activamente, e to­ mam de forma espontвnea a iniciativa de elucidarem as suas utentes. Hoje, parece estarmos todos (populaзгo e profissionais de saъde) mais esclarecidos sobre o cancro do colo do ъtero e por isso melhor preparados para nos envolvermos no “combate” a esta doenзa. Mas a introduзгo das vacinas contra o HPV tam­ bйm se fez acompanhar de alguns curiosos paradoxos.

Apesar de nunca ter sido desenhado um estudo rando­ mizado para avaliar a eficбcia do rastreio organizado do cancro do colo do ъtero, em todos os locais onde tem sido implementado, registou-se sempre uma sig­ nificativa reduзгo da mortalidade por aquela doenзa. Hoje, nгo existem dъvidas quanto а evidkncia da sua eficбcia. Desde 2006, altura em que a vacina profilб­ tica contra o HPV foi aprovada pela FDA para uso clнnico, ainda nгo houve tempo para a demonstraзгo estatнstica da sua eficбcia na reduзгo da mortalidade Outro agradбvel efeito colateral que nos trouxe as vacinas foi o de estimular a implementaзгo de pro­ gramas de rastreio organizado contra o cancro do colo 59

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pelo cancro do colo do ъtero. Apesar disso, muitos paнses, quase de imediato a incluнram nos seus res­ pectivos programas nacionais de vacinaзгo. No nosso paнs, a inclusгo da vacina contra o HPV no PNV foi aprovada em 2008, embora de forma pouco ambicio­ sa – vгo ser necessбrios mais de 30 anos para que a maioria das mulheres portuguesas fiquem vacinadas.

Tambйm nгo deixa de ser interessante que, tal como foi referido na Reuniгo da Sociedade Portuguesa de Ginecologia que decorreu na Curia, em Janeiro des­ te ano, a taxa de vacinaзгo das jovens integradas no programa nacional de vacinaзгo, nos seus primeiros meses, ultrapassou a taxa de participaзгo das mulhe­ res em qualquer dos programas de rastreio organizado jб em curso. existe um programa de rastreio organizado na Zona Centro, desde hб cerca de duas dйcadas, cuja eficбcia й uma indiscutнvel evidkncia epidemiolygica.

Num princнpio de uma prбtica mйdica baseada na evidkncia cientнfica, seria de esperar que os novos programas de rastreio viessem a ter inspiraзгo na experikncia da­ quele programa de rastreio, jб implementado na Zona Centro, e que tгo frutuosos resultados tem dado. Estou em crer, de acordo com a evidkncia cientнfi­ ca, que a vacinaзгo profilбtica contra o HPV univer­ sal de todas as mulheres e talvez tambйm dos homens, vai ter um papel determinante no controlo do cancro do colo do ъtero e das doenзas que estгo associadas а infecзгo pelo HPV.

Actualmente, hб que difundir o mais possнvel a vacinaзгo contra o HPV, para que a maioria das mulheres portuguesas possam estar vaci­ nadas no mais curto espaзo de tempo, mas isso nгo nos deve fazer esquecer a necessidade de promover o rastreio organizado do cancro do colo do ъtero, que tem sido atй а data, o ъnico meio que se mostrou efi­ caz na reduзгo da incidkncia e da mortalidade por aquela doenзa, e mesmo na era “pys-vacinal” irб por certo continuar a ter um papel fundamental.

Num paнs tгo pequeno como o nosso, parece ter algo de paradoxal a existkncia, sy no Continente, de 5 diferentes e independentes programas de rastreio organizado do cancro do colo do ъtero (Alentejo, Algarve, Lisboa e Vale do Tejo, Zona Centro e Zona Norte). A descentralizaзгo й ъtil e necessбria, mas a coordenaзгo centralizada poupa recursos e melhora a qualidade e a funcionalidade.

Mais ainda se afigura curioso que os programas de rastreio organizado do cancro do colo do ъtero recentemente estruturados tenham optado por meto­ dologias dispares, que ainda nгo foram testadas no nosso paнs, fazendo-nos esquecer que em Portugal, jб Temos que nos congratular por o rastreio organi­ zado do cancro do colo do ъtero em Portugal ser jб uma realidade que nгo vai ter retorno. As primeiras barreiras jб foram transpostas, mas o que falta, ainda й muito! Josй Alberto Moutinho Editor Associado da AOGP 60

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